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A verdadeira história do 8 de janeiro


A verdadeira história do 8 de janeiro

Daqui a alguns anos, os livros de história vão registrar o que ocorreu no dia 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram o Palácio do Planalto, o STF e o Congresso Nacional, destruindo praticamente tudo. Mas qual será a verdadeira história contada? Será a versão da imprensa e do STF ou a que realmente vivemos?

Sendo assim, vou detalhar, na minha visão, o que considero a verdadeira história do 8 de janeiro.

Podemos dizer que tudo começou quando o STF decidiu soltar Lula da prisão. Revogando a prisão após a condenação pela segunda instância, para depois cancelar todo o seu processo na Lava-Jato por mero “erro” processual. Eles mudaram o entendimento e soltaram Lula e diversos outros criminosos. 

Ou podemos começar quando Jair Bolsonaro assumiu a presidência. O Brasil sempre foi governado pela esquerda desde a redemocratização, mas, após anos de corrupção e má gestão, surgiu um sentimento forte de antipetismo. Nesse cenário, Bolsonaro, um deputado que passou décadas no Congresso, aproveitou a onda antipetista e foi eleito, representando pela primeira vez um governo de direita no país na era da democracia.

Desde sua campanha, Bolsonaro deixou claro que compraria briga com a grande imprensa, comprovadamente comprada. Já no início do governo, cortou patrocínios e verbas da Rede Globo e entrou em conflito com ministros do STF, especialmente Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes. Essa rivalidade se intensificou durante toda sua gestão, agravada pela pandemia, quando seus opositores não deram trégua.

Durante quatro anos, Bolsonaro travou uma verdadeira guerra contra a mídia, contra o STF e a esquerda. Ao mesmo tempo, defendia a implementação do voto impresso, projeto criado por ele aprovado na Câmara em legislaturas anteriores. Para ele, isso garantiria mais transparência nas eleições. Seria uma espécie de "tranca a mais". Porém, o STF barrou a proposta, e isso gerou ainda mais atritos. Pior, agiu antidemocraticamente, com Barroso atuando no congresso, pressionando os líderes dos partidos, medida que não lhe cabe de forma alguma. Juiz é juiz. Não pode ser político.

Bolsonaro, no entanto, tinha apenas quatro anos de mandato, enquanto o STF e a grande mídia seguiam com poder vitalício. Assim, no último ano de governo, durante o período eleitoral, essa guerra se tornou ainda mais intensa. E foi justamente nesse contexto que se desenhou o cenário que culminaria no 8 de janeiro. Foi uma soma de muitos fatores que fizeram as pessoas desconfiar do processo, como a não implementação do voto impresso, junto com o jogo desigual orquestrado pelo TSE e grande mídia.

Quando Bolsonaro perdeu a eleição e deixou a presidência, ficou vulnerável. Os inimigos que enfrentou durante quatro anos, agora estavam livres para atingi-lo, indefeso. Logo no início do governo Lula, ele foi alvo de buscas e apreensões determinadas pelo STF em sua casa, sob o pretexto de investigação sobre cartões de vacina e presentes oficiais. Vasculharam tudo: celulares, comunicações, pessoas próximas. Ainda assim, não encontraram nenhuma prova que o ligasse diretamente aos atos do 8 de janeiro. E nesses caso, nem a prerrogativa para a busca e apreensão era factiva, pois ele, no momento, não tinha foro privilegiado. A perseguição nesse momento era escancarada. 

Mas, afinal, por que aconteceu o 8 de janeiro?

O principal motivo foi a desconfiança nas urnas eletrônicas e no processo eleitoral. Se o voto impresso tivesse sido adotado, a insatisfação popular não teria existido. Caso Lula tivesse vencido por apenas um voto a mais, mas com auditoria impressa, ninguém teria ido às ruas, ninguém teria acampado em frente aos quartéis, e muito menos ido a Brasília. Bolsonaro teria aceitado a derrota de imediato. 

Foi algo surreal. Bolsonaro tinha amplo e maior apoio nas redes sociais, manifestações gigantescas, ao contrário de seu adversário. Venceu em tudo, menos nas urnas. Até as pesquisas foram estranhas, dando a ele  pontos a menos que ele recebeu no primeiro turno. Sem contar na apuração, que obteve mais votos do que quando tinha sido eleito.

Como disse, o ministro Barroso teria atuado contra o voto impresso, pressionando parlamentares a rejeitar a proposta – algo que não era função dele. Assim, cresceu a desconfiança. Afinal, poucos países no mundo usam urnas totalmente eletrônicas sem auditoria em papel. Bastaria adotar o voto impresso para evitar toda essa confusão. Uma medida muito simples que ajudaria a democracia. Lutar contra isso, ajudou e muito a aumentar a desconfiança nas urnas.

Depois das eleições, a indignação tomou conta da população. A diferença de votos foi mínima, e houve diversas reclamações: a parcialidade da mídia, o posicionamento do STF e TSE, o bloqueio de parlamentares e empresários de direita, censurados. Bolsonaro, por sua vez, tentou contestar o resultado dentro das quatro linhas da Constituição. Reuniu-se com militares e aliados, mas não encontrou meios legais para reverter o resultado. Por isso, acabou aceitando a derrota e viajou para os Estados Unidos.

O acusam de tentar dar golpe, mas ele teria sido repreendido pelo comandante do exército, por isso o golpe não aconteceu vias de fato. Mas se ele quisesse dar golpe, mesmo, era só trocar o comandante do exército, fato que não ocorreu.

Enquanto isso, manifestações pacíficas aconteciam em frente a quartéis-generais, com pessoas pedindo intervenção. Caminhoneiros chegaram a fechar estradas, mas Bolsonaro pediu para que voltassem para casa, e muitos atenderam. Ainda assim, alguns grupos permaneceram acampados.

Então veio o 8 de janeiro. Cerca de 1.500 pessoas, sem armas, invadiram o Congresso, o STF e o Palácio do Planalto. A segurança era mínima, eles praticamente foram convidados a entrar e quebrar tudo. As câmeras foram desligadas ou imagens apagadas, e o ministro da Justiça, Flávio Dino, assistiu à situação sem agir de imediato. A destruição que ocorreu acabou beneficiando o governo, que passou a ter justificativa para perseguir e prender opositores.

Chamar o episódio de " tentativa de golpe” é uma falácia. Não havia armas, não havia liderança organizada, não havia presidente no poder. Foi uma baderna, sim, e os responsáveis devem pagar por isso. Mas penas de 10, 14 ou até 17 anos são completamente desproporcionais. Inclusive, movimentos assim, já aconteceram no país diversas vezes, orquestrados pela esquerda, e nada aconteceu. 

Após o episódio, as manifestações se encerraram. Muitos foram presos sem nem sequer terem participado diretamente. Ambulantes e até morador de rua. Abusos de autoridade relatados a todo instante.

No fim, a verdade é que o 8 de janeiro poderia ter sido evitado. Se houvesse voto impresso, se houvesse mais transparência, jogo limpo nas eleições, nada disso teria acontecido. Para os que viveram, não foi golpe de Estado, mas sim, uma manifestação descontrolada e até mesmo desejada pelo governo. E, daqui a alguns anos, os livros de história provavelmente contarão apenas a versão da grande mídia e do STF.

O 8 de janeiro não deveria ter existido. E os maiores responsáveis são o STF, o governo Lula e a grande e velha imprensa. Eles deixaram acontecer e foram beneficiados por isso, ganhando "motivo" para punir e prender seus opositores com o intuito de se perpetuar no poder, com a grande mídia obtendo lucros cada vez mais astronômicos.

Que a democracia, volte, algum dia.

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